Autor: Jeferson Luís da Silva
Domingo, 8 de julho de 2007
Antes de iniciar qualquer comentário sobre este assunto gostaria de esclarecer que as linhas abaixo possuem o intuito de compartilhar com os colegas uma ló- gica de pensamento entre tantas outras existentes.
Resumidamente podemos dividir o problema de aprendizagem em acontecimentos físicos (doenças), psicológicos (traumas) e sociais. Popularmente existe uma certa confusão entre questões psicológicas e sociais, já que ambas são relacionadas ao comportamento humano.
A Psicologia estuda o comportamento humano e seus processos mentais enquanto que a Sociologia estuda o comportamento humano em função do meio e os processos que interligam o indivíduo.
Um exemplo de problema social é o estresse. Uma pessoa pode agredir outra em uma explosão de raiva e a motivação ter origem na pressão social e não devido a um problema de ordem psicológica.
Uma pessoa socialmente ativa normalmente possui determinados bloqueios de aprendizagem como consequencia da imposição de pensamentos pré-concebidos.
Para entender as questões sociais e os problemas provenientes desta relação é importante conseguir diferenciar modelo social e prática social.
O modelo social é um conjunto de regras individuais ou institucionais que conduzem o pensamento.
Podemos definir prática social como a reação que possuímos diante dos diversos modelos sociais existentes.
A lógica boolena possui conotação binária de eventos que são certos e eventos errados. Não existe meio termo ou é certo ou é errado.
Usando a lógica boolena é possivel demonstrar que duas pessoas podem morar juntas e gerar filhos, mas isso não significa que ocorreu a constituição de uma família. Basta faltar algum dos requisitos da definição de família para que não seja reconhecida a união como constituição familiar. Este mesmo motivo pode ser usado como argumento que proíbe aceitação de casamento entre indivíduos do mesmo sexo.
A polêmica surge quando avaliamos a lógica de um determinado modelo booleano usando o conceito diferente como o de aproximação de resultados. Na aproximação de resultados ocorre uma conclusão oposta. Se duas pessoas se unem voluntariamente ocorre a constituição da família, independente do sexo ou poder aquisitivo. Mas esta conclusão é proveniente da análise por aproximação.
Observe o leitor que cada modelo de pensamento se propõe a resolver um problema específico. Se o modelo for aplicado ao caso específico, o resultado das regras que determinam o raciocínio serão adequados à realidade social daquelas pessoas. O modelo nesse caso será eficiente.
Se aplicarmos esse mesmo modelo de raciocínio em uma família que não possui poder aquisitivo adequado além de uma série de problemas sociais, o modelo se mostrará ineficiente. O problema não será solucionado.
Não é o modelo que está errado e sim a sua aplicação generalizada. Cada modelo de raciocinio deve ser empregado apenas no problema específico que ele propõe solucionar.
Uma pessoa que não avalia e adapta seu modelo lógico corre o risco de virar escrava de seu próprio pensamento. Diminuirá assim sua capacidade de percepção e entendimento.
É importante que as pessoas possam usar e perceber diversos modelos de raciocínio permitindo assim a escolha de um modelo mais adequado para a resolução de um determinado problema. Para que isso ocorra devemos evitar modelos dotados de regras universais e aplicações generalizadas.
Este ato de interação entre pessoas e instituições sem uma compreensão adequada do modelo que é usado, faz com que não exista um consenso lógico, embora as pessoas falem da mesma coisa estão aplicando análises com objetivos diferentes e percepções diferentes.
Particularmente separo o processo de aprendizagem em uma relação de três características distintas.
1 – Sentimento (interferência do ambiente e das pessoas)
2 – Escolha do modelo lógico de percepção
3 – Análise e resultado
O sentimento é o primeiro e o mais complexo dos processos envolvidos no aprendizado, literalmente nós sentimos aquilo que aprendemos. É através do sentimento que bloqueamos nossa percepção das sutilezas sociais.
Conforme a intensidade dos nossos sentimentos não conseguimos perceber as coisas que pairam nas entrelinhas e podemos acabar escolhendo o modelo inadequado de interpretação, gerando a dificuldade de aprendizado.
O processo de análise e resultado só terá eficiência se o modelo de percepção for aproximado da lógica usada na matéria ou evento que estamos estudando.
Observe que a nossa percepção depende diretamente de como nos sentimos e da técnica lógica que usamos para entender um determinado evento.
Faça um teste prático.
Pegue algum assunto polêmico e avalie a opinião contraria a sua e identifique qual o modelo adotado pelo locutor oponente. Depois de identificado a lógica aplicada, procure verificar como você reage (sentimento) e as coisas ocultas por trás do modelo avaliado. Para encontrar as coisas ocultas basta aplicar a lógica aristotélica e encontrar as falácias.
Você irá perceber que algumas pessoas ao tratarem de assuntos polêmicos demonstram claramente uma modificação de humor, ficando hora irritada, eufórica e assim por diante.
Estes sinais emocionais podem em alguns casos significar que o individuo está preso em uma única forma de avaliação e possivelmente não consegue identificar e aceitar outros modelos de raciocínio. Escravo do seu próprio pensamento.
Aprender pode ser definido como o ato de permitir-se sentir e experimentar novos modelos de aplicações lógicas.
Quando usamos uma ferramenta errada em uma manutenção normalmente passamos mais trabalho e dificuldades para concluir nossa atividade. Cada modelo lógico equivale a uma ferramenta e o efeito é semelhante aquele encontrado quando usamos a ferramenta errada para um determinado serviço. Em outras palavras, ao se apegar em um único modelo lógico o individuo corre o risco de passar trabalho ou sofrer dificuldades na aprendizagem.
Outros modelos quando aplicados terão conclusões opostas ao resultado encontrado no texto acima.
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